A partir do momento em que os hominídeos desenvolveram a razão, desenvolveram com ela a capacidade de tornar-se irracional.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A Cidade do Sol de Tommaso Campanella


Mais uma vez, me disponho a relatar e informar algumas passagens reservadas a uma literatura que tem por característica a busca pelo mundo perfeito. As expressões políticas, sociais e econômicas de homens que nos séculos passados tentaram objetivar soluções e sonhar com um possível mundo mais justo e perfeito.

E como todos nós sabemos estas obras representam em primeira mão as experiências destes indivíduos/autores no mundo da política, sociedade e economia de sua época. Portanto, livres de qualquer anacronismo e cientes de que o que consideramos hoje uma determinada prática cultural absurda, para estes autores em sua época seriam coisas naturais e inteligíveis.

Um dos aspetos mais interessantes da obra A Cidade do Sol de Tomaso Campanella é a questão da eugenia. Uma prática natural entre os solares que teria por função criar uma cultura elevada e perfeita.

Esta prática eugênica seria orientada e acompanhada pelo príncipe e sacerdote AMOR (Mor), as estratégias corresponderiam a orientações na alimentação, a sociedade seria incentivada à arte da guerra – um meio capaz de fortalecer e manter os físicos dos solares perfeitos – o sexo seria controlado entre os solares, sendo que as mulheres belas deveriam se relacionar com os mais fortes.

Um livro, escrito pelos mais sábios e instruídos entre os solares, iriam catalogar todas as espécies de plantas, ervas e árvores, para que assim eles pudessem encontrar a cura para diversas doenças.

Mas, uma coisa curiosa Campanella tenta evidenciar, que sua prática eugênica não teria a ação de extermínio dos mais fracos. Na Cidade do Sol cada um seria treinado desde pequeno a desenvolver as suas aptidões e dons. Assim, cada um seria levado a um crescimento natural e controlado que seria aceito entre os solares, sendo que assim, a partir do estímulo a valorização de certas virtudes a ordem entre os solares poderia ser controlada. Indivíduos com problemas físicos, não seriam eliminados, os mesmo seriam levados a procurar funções e ocupações que para esses fossem possíveis.

Deste modo, além da inspiração religiosa, a eugenia seria o alicerce do mundo e da cultura perfeita entre os habitantes da Cidade do Sol.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Algo sugestivo antes das eleições


Há muito tempo, venho refletindo sobre alguns aspectos do mundo da política, como por exemplo, o discurso que é constante alimentada pela população, de que os políticos são todos desonestos e de que a política é suja. Porém, o número de abstenções nas eleições, apesar de ter crescido, ainda não representa de maneira quantitativa o discurso então propagado.

O que busco responder é o seguinte, são os políticos que fazem os eleitores mudarem de opinião e de postura de maneira tão rápida? Ou a população apesar de toda descrença ainda acredita e sabe que sua vida pode melhorar com a proteção do Estado? Ou ela é levada a acreditar que ainda restam sujeitos políticos honestos e capazes de atender aos seus anseios e estes lhes são apresentadas como sendo seus salvadores? Contudo o fator mais elementar é que esta condição acaba por manter no poder, antigos governantes ou acabam por eleger representantes que não lhes representa em nada quando são eleitos.

Ou seja, este discurso de que a política não presta e os políticos muito menos, não representa uma força eficiente de combate a essa política e a esses políticos corruptos.

Neste caso, podemos argumentar que a corrida eleitoral, com toda a sua publicidade e seu marketing contribui para a mudança de posição; podemos dizer, e neste caso espero que seja, é que apesar de tudo a população ainda acredita e sabe que sua condição social é de proteção do estado e que deste pode esperar o seu apoio.

Como pode, quatro meses de campanha eleitoral apagar e reconstruir uma realidade que não é compatível com os quatro anos anteriores de decadência e de desrespeito público com seus representados?

Será complacência, ignorância, alienação, convencimento meu caro leitor?

quarta-feira, 9 de maio de 2012

( ...)


Tudo é metafísico! O homem costumeiramente é levado a crer que a sociedade perfeita pode ser possível. Extrapolações filosóficas condicionam o homem a refletir em posturas ideais, em costumes apropriados ao convívio em sociedade.
A experiência do homem, no ambiente em que vive nem sempre é agradável e nem sempre corresponde ao esperado. Sendo assim, o mesmo a partir de sua capacidade orgânica, que é a razão, se sujeita a refletir sobre sua condição neste ambiente de convívio.
Mas, quem é o homem? Um ser que nasceu para não suportar as dificuldades? A felicidade é inerente ao homem?
O que é o egoísmo diante do coletivo?
O que é a sobrevivência diante dos obstáculos?
O que é a razão diante da natureza animalesca do homem?
Neste caso, as tentativas de corrigir as supostas imperfeições do homem, tendem a levá-los ao campo do metafísico. Ao campo do suposto alcançável.

terça-feira, 27 de março de 2012

A Ilha de Utopia

A princípio, para início de debate sobre certos elementos que compõem o Livro A Utopia de Tomás Morus, podemos destacar alguns aspectos que são presentes em sua dissertação, sobre esta que seria a melhor forma de governo.

Primeiro, a Ilha de Utopia – antes Abraxa – só consegue alcançar um nível de cultura e de civilidade considerada ideal, quando esta é colonizada por Utopus.

Segundo, a colonização é aceita a partir do momento em que os utopianos em busca de minerais e matérias-primas, mantêm contatos com outros povos e quando estes demonstram estarem num nível cultural inferior ao dos utopianos. Sendo assim a colonização e submissão destes torna-se necessária para que se possa levá-los ao caminho mais correto e mais puro.

Terceiro, a escravidão continua presente na Ilha de utopia, submetendo aqueles que por alguma razão desrespeitaram as leis locais, ou se tornaram reféns numa batalha. Sendo que na condição de escravo, o indivíduo teria a oportunidade de se purificar e claro realizar funções que os utopianos não poderiam se submeter.

Quarto, na Ilha de Utopia, assim como em toda a Europa e na Inglaterra, a mulher estaria subjugada aos homens.

Deste modo, a descrição de Morus sobre certos aspectos da ilha de Utopia, carrega consigo a manutenção de certas experiências sócio-culturais, como a Escravidão, Colonização, Patriarcalismo/Machismo. Situações e experiências que hoje são consideradas absurdas e fora de moda. E se o mesmo Morus habitasse o Brasil do século XXI, o mesmo poderia nos oferecer uma Ilha de Utopia desprovidas destas características, porém com todos outros absurdos e experiências políticas e culturais que submetem o homem em seu determinado tempo.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Tentativas pré-liminares


Se tivéssemos o controle e o conhecimento de todas as forças e substancias que provocam reações no universo, na terra e no ser humano, poderíamos assim, afirmar com convicção a origem e a natureza de todas estas reações.

Por isso, que é possível a evolução da epistemologia expressada por seus múltiplos filósofos. A ausência de informações necessárias ao entendimento metafísico. E que neste caso não é pelo entendimento, que segundo Hume, encontramos o acesso às respostas metafísicas.

terça-feira, 13 de março de 2012

A Morte em seus estágios Líquido, Sólido e Gasoso

A Morte em seus estágios,
Líquido, sólido e gasoso.
A Morte de uma garrafa,
Antes intacta me causa apreensão.

Não sem fundamento!
Não é simplesmente a Morte de uma garrafa.
Mas, a preocupação com o que nela se guarda.
Logo, é a Morte do tesouro em estágio líquido e sagrado
Sem se ter provado, que pode levar gerações ao descaso.

Este é o sagrado,
Que a Morte outrora anunciada
Punha em risco o mundo e o equilíbrio.
E a Morte em seu estágio gasoso
Tão requisitado e apresentado.
É a representação básica do idealismo, do romantismo.

Consumir a Morte!
Seria possível suprimi-la com a sobriedade?
Em tudo ela se manifesta
Se em procissões, ceticismos ou em festas.
Em tudo se consome a Morte.

Entretanto, lancemos aquela garrafa para o alto,
Que eu numa ação de graças,
Num ritual sagrado.
Esgotarei o meu tempo em favor da felicidade.

E então não me sobrará forças,
Para enfrentar a Morte em qualquer de seus estágios,
Pois, dedicado que estive em momentos de vigília.
Não me restou tempo nem vontade,
Para barganhar da Morte um pouco mais de calma.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Razão, Experiência e Kant


Tudo o que a nossa experiência, sozinha, tem a nos oferecer são impressões e verdades equivocadas. Ao passo que todo o conhecimento que provem exclusivamente da Razão, são representações idealizadas que não se compromete com a verdade que possa ter um caráter universal. Deste modo, nem uma nem outra,sozinha pode oferecer ao homem um conhecimento verdadeiro.

É como se o homem estivesse a caminho/busca da sua cidade-natal e no meio do percurso se apresentasse ao várias direções/opções que supostamente o leve ao tão pretendido lugar. Como este sujeito poderá se submeter ao caminho mais prudente e exato? Sua escolha não poderá ter por base, apenas a experiência e tão somente a razão, pois a primeira apenas lhe ofereceria escolhas, porém nunca a forma ou os fundamentos necessários que o levem ao conhecimento exato do caminho, enquanto este lhe ofereceria a forma e os fundamentos, porém destituídos da experiência, do espaço e do tempo.

Sendo assim, a cidade-natal sendo entendido como o caminho para o progresso. Este progresso só poderá ser alcançado se o homem lançar sobre a sua caminhada, princípios inatos que correspondem a um Idealismo Transcendental.